Covid-19, Psicologia

COMO LIDAR COM O ISOLAMENTO CAUSADO PELO COVID-19 NO EXTERIOR

É comum que ao mudar para um outro país possamos nos sentir sozinhas, que essa solidão nos desanime e, em alguns casos, possa também desencadear alguns problemas emocionais mais graves. Com o isolamento causado pela pandemia do Covid-19 essa situação tende a se intensificar ainda mais. O que podemos fazer do ponto de vista emocional?

1. Não se isole. Tente sempre estar em contato com sua família e com suas amigas, mesmo que não seja de forma presencial. Esteja próxima de pessoas que se importam contigo e que possam te apoiar no exterior. Lembre a si mesma que não está sozinha. Se manter em contato com pessoas queridas é importante para conseguir aliviar a angústia que o isolamento pode trazer. Ter pessoas que possam nos ouvir, entender e apoiar é fundamental para nos sentirmos menos sozinhas e encontrarmos estratégias de enfrentamento dessa situação.

2. Não perca o contato com as pessoas que são importantes em sua vida. Morar no exterior não quer dizer se afastar das pessoas queridas que vivem no Brasil. Ligue, mande mensagem, peça apoio de pessoas que te trazem uma sensação de segurança e que vão te incentivar a correr atrás dos seus objetivos.

3. Não enfrente os problemas sozinha. É comum que no exterior tenhamos que lidar com novos desafios e situações, ainda mais com a pandemia. Converse com seu grupo de amigas sobre suas dificuldades, peça apoio, diga o quanto se sente sozinha e peça que tentem estar mais contigo. É importante pedir o apoio de mais de uma pessoa porque em conjunto é mais provável que elas consigam te ajudar a se sentir menos sozinha.

4. Ocupe seu tempo livre. Pense em recursos que possa utilizar para colocar seus sentimentos para fora. Descubra o que funciona para você: yoga, meditação, atividade física, escrever, pintar… Ninguém melhor do que você para saber o que te faz bem. Aproveite o aumento no número de atividades online e se inscreva em atividades de que goste, em cursos online, em grupos de apoio online… Realizar atividades prazerosas pode nos ajudar a ter uma perspectiva mais positiva de estarmos em nossa própria companhia e aumentar nossa sensação de bem-estar e motivação. Essa também pode ser uma oportunidade para se capacitar profissionalmente e melhorar o seu currículo.

5. Busque o sentimento de pertencimento. É tão bom se sentir em casa, né? Mas e quando se está em outro país? Uma alternativa pode ser buscar se conectar com a sua cultura. Culinária, música e filmes brasileiros podem ajudar a nos sentirmos mais confortáveis no exterior.

6. Lembre do que já conseguiu conquistar até agora. Você tem olhado para a sua trajetória com carinho? O que você conquistou até aqui? O que já teve que enfrentar? Tente lembrar que os desafios e as adversidades fazem parte da vida, mas que, assim como você já superou outras situações difíceis, também tem capacidade de enfrentar essa pandemia.

7. Cuide da sua saúde física e mental. Estar saudável é fundamental para que possamos manter nosso equilíbrio e bem-estar. Tente se alimentar bem e fazer alguma atividade física, e também esteja atenta a sinais de alerta que possam estar ligados à sua saúde emocional (desânimo, estresse, insônia, ansiedade, mudanças de apetite, mudanças de humor…).

8. Busque ajuda profissional. Procure uma profissional competente que possa te ajudar a enfrentar essa situação da melhor maneira possível. Caso não consiga arcar com o investimento financeiro existem organizações, associações, universidades, aqui no site, e nos serviços públicos de saúde algumas profissionais que podem te ajudar de forma gratuita, ou que podem acordar valores mais acessíveis.

Fontes:

Juliani Silva, Psicóloga Clínica CRP 06/153044. Fez parte da AIESEC, plataforma internacional que possibilita o desenvolvimento pessoal e profissional de jovens por meio da liderança através do intercâmbio. Realizou o curso de primeiros socorros psicológicos pela Universidade Autônoma de Barcelona, com enfoque no TEPT (Transtorno de Estresse Pós-Traumático). Página profissional: instragram.com/psicologiadoviajante

Mariana Lemos Braz – Mestranda em Psicologia Clínica com experiência na área de Psicologia Clínica, de Psicologia da Justiça, em trabalho com pessoas em situação de vulnerabilidade social, e com grupos de apoio à mulheres imigrantes. Página profissional: instagram.com/marianalemosbraz

Psicologia, Xenofobia

SOFRI XENOFOBIA, E AGORA?

A xenofobia tem sido um problema que vem sendo cada vez mais discutido, mas o que podemos fazer do ponto de vista emocional quando sofremos xenofobia?

1. Busque conversar com amigas que já tenham passado por situações parecidas. Falar sobre o que aconteceu, como está se sentindo e sobre possíveis estratégias de enfrentameto pode ajudar a aliviar o mal estar, a lidar com a situação e a nos sentirmos menos sozinhas, impotentes e vulneráveis.

2. Lembre-se que a culpa não é sua. É fundamental perceber que o problema não está em nós, nas nossas roupas, no nosso corpo, em nosso modo de falar, ou na nossa nacionalidade. Em uma sociedade que culpabiliza a mulher e desresponsabiliza o homem é bastante comum que uma das nossas primeiras reações seja sentir culpa, procurar motivos ou pensar que poderíamos ter evitado a situação, mesmo que conscientemente nós saibamos que a culpa não é da vítima. Se libertar desses sentimentos é fundamental para que possamos superar essa situação.

3. Lembre-se que nem todas as pessoas são xenófobas. Infelizmente vivenciar situações de xenofobia tem sido algo cada vez mais comum entre imigrantes, mas isso não quer dizer que todas as pessoas estão contra nós. Vivenciar constantemente situações de xenofobia pode nos levar a fazer generalizações, a criar resistência a todas as pessoas daquele país e a sua cultura, e a viver num mal estar constante. É importante estarmos atentas para que isto não atrapalhe o nosso bem estar e nem os nossos objetivos.

4. Lembre-se dos pontos positivos do país em que está morando. Vivenciar situações de xenofobia pode desencadear falta de esperança, desânimo, frustração e até uma mudança generalizada na maneira como nós vemos aquele país. Relembrar e enxergar os pontos positivos pode nos ajudar a sair desse ciclo.

5. Busque ajuda profissional. Vivenciar situações de violência, de qualquer tipo, pode desencadear processos a longo prazo, e estando em outro país e inserida numa outra cultura pode ser um pouco mais difícil de enfrentá-los. Contar com o apoio de uma profissional capaz de entender e acolher nossas demandas pode ser essencial para ressignificar algumas experiências negativas vividas no exterior.

6. Se conseguir denuncie. Denunciar é um processo muito delicado porque implica reviver a situação de violência através do relato às autoridades, e nem sempre estamos fortalecidas para isso. Por outro lado, denunciar pode nos ajudar a nos sentirmos menos impotentes diante da situação que vivenciamos, e pode trazer algum conforto saber que o agressor poderá ser punido e que outras mulheres não irão vivenciar a mesma situação que nós.

*Fonte: Mariana Lemos Braz – Mestranda em Psicologia Clínica com experiência na área de Psicologia Clínica, de Psicologia da Justiça, em trabalho com pessoas em situação de vulnerabilidade social, e com grupos de apoio à mulheres imigrantes. Página profissional: instagram.com/marianalemosbraz