Mariana Braz

Artigo publicado no Gerador

Reza a lenda que, no ano de 2019 d.C, uma criatura mitológica pré-histórica, vinda das profundezas da terra (ou seria do mar?), surgiu no Brasil, capaz de dominar a mente de parte da população que ali habitava a ponto de fazer as pessoas romperem suas relações familiares, assassinarem outras pessoas por expressarem opiniões políticas divergentes e criticarem o governo bizarro do tal mito, e, ainda, de causar um astigmatismo seletivo nas pessoas dominadas, impedindo-as de ver o país afundar aos hectares por dia. Há quem diga que a tal criatura apareceu pela primeira vez no impeachment da única presidente do país, congratulando um torturador do período ditatorial e defendendo um Brasil acima de tudo e um Deus acima de todos (menos dele e dos mitozinhos, obviamente). Há quem diga que a criatura também foi observada por Freud, quando ele estava a escrever sobre sua majestade o bebê, e que também viveu na Alemanha e foi arquiteto do primeiro campo de concentração nazista para queimar judeus. Já outros, acreditam que a criatura é muito mais antiga, e dizem existir relatos de que a tal criatura já dominava os olhos dos colonizadores quando pisaram no Brasil pela primeira vez, que foi a primeira a chicotear um homem africano escravizado, a violar uma mulher indígena, a assassinar um gay, e, posteriormente, a torturar um militante. Por fim, há ainda quem diga que a criatura vem do futuro, e que é o próprio anti-cristo disfarçado, embora as trevas já tenham chegado no Brasil precisamente há três anos e nove meses. 


Por mais inacreditável que seja a chegada de figuras tão bizarras ao governo, e por mais surreal que tenha se tornado o comportamento de pessoas que defendem o circo que se instalou no Brasil com unhas e dentes (mas não com o cérebro, obviamente), a Psicologia e a Psicanálise, há décadas, vêm estudando o comportamento de massas de sujeitos que se unem por uma ideologia em comum e perdem sua racionalidade. É comum que esse processo seja manipulado por políticos para satisfazerem os próprios desejos e caprichos, e que eles utilizem (ou criem) uma descrença no governo vigente, onde um “mito” possa surgir com um discurso muito enérgico de que ele, o salvador, irá restaurar a ordem do país (causando, ele mesmo, desordem e anarquia), com o apoio de Deus (mas o Deus old school, do antigo testamento), dos militares (21 anos de tortura), e com os valores da família tradicional (onde em briga de marido e mulher não se mete a colher), e, no caso do Brasil, não podemos esquecer também que somos um país que foi colonizado e construído com bases racistas, e que é exatamente isso que o tal mito representa: o homem branco colonizador.

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